CRA-PR debate relação entre saúde mental, produtividade e gestão nas organizações

CRA-PR debate relação entre saúde mental, produtividade e gestão nas organizações

Tema foi discutido durante o quinto Café com Administradores de 2026

A saúde mental como estratégia de gestão e produtividade das empresas foi o tema debatido no Café de Administradores de Julho no Conselho Regional de Administração do Paraná, que ocorreu no dia 2 de julho, em Curitiba.

“No Paraná, assim como no nosso país, a saúde mental no trabalho passou a ocupar um lugar central na agenda das organizações, especialmente diante do aumento dos afastamentos, da queda da produtividade e da atualização da NR-01, que reforça a necessidade de identificar, avaliar e gerenciar os riscos psicossociais no ambiente ocupacional”, destacou o presidente do Conselho Regional de Administração do Paraná (CRA-PR), o administrador Gilmar Silva Andrade.

Para abordar o tema, o CRA-PR convidou o neurocientista Alessandro Barleze, com a palestra “Saúde mental, produtividade e gestão de riscos: como antecipar sinais antes que virem crise”, que ressaltou a necessidade de o bem-estar dos colaboradores ser tratada além do escopo de recursos humanos e passar a integrar a estratégia de produtividade e sustentabilidade das organizações.

Mestre em Neurociência e Engenharia de Software e especialista em jogos digitais, realidade estendida e inteligência artificial, Barleze salientou que produtividade e bem-estar não são conceitos opostos, mas elementos complementares para resultados sustentáveis.

“A questão não é a existência de metas, mas a forma como elas são definidas, comunicadas e sustentadas pela organização. Quando a cobrança se torna crônica, imprevisível ou incompatível com a capacidade humana de execução, ela passa a representar um fator de risco psicossocial”, afirmou.

Segundo o especialista, os principais riscos identificados atualmente nas empresas incluem sobrecarga de trabalho, pressão excessiva por resultados, baixa autonomia, jornadas extensas, conflitos interpessoais, liderança hostil, assédio moral, comunicação ineficiente e falta de reconhecimento. Em muitos casos, explicou, o problema está na combinação entre alta demanda, pouco controle sobre as atividades e baixo suporte institucional.

Para ele, as iniciativas mais eficazes e com melhor relação custo-benefício são aquelas que promovem mudanças na organização do trabalho, como revisão das cargas e prioridades, melhoria da comunicação, qualificação das lideranças, estabelecimento de pausas reais e criação de canais seguros de escuta. Intervenções individuais, como programas de apoio psicológico, mindfulness e outras ferramentas, tendem a gerar resultados mais consistentes quando acompanhadas dessas transformações estruturais.

Barleze apresentou a plataforma de gestão preventiva de riscos psicossociais, MindRadar, que levou cerca de quatro anos para ser desenvolvida e tomou como base vários estudos científicos. A solução utiliza dados agregados e anônimos, inteligências artificias, questionários científicos e recursos como realidade virtuais para ajudar empresas a identificar precocemente sinais de estresse, queda de engajamento e outros fatores que podem impactar a saúde mental e a produtividade. “A ferramenta apoia a tomada de decisões estratégicas, a conformidade com a legislação e a implementação de ações preventivas, sem monitorar ou expor indivíduos”, explica.

O neurocientista ressaltou que os gestores devem estar atentos às mudanças de comportamento das equipes, observando sinais como queda repentina de desempenho, aumento de erros, isolamento, irritabilidade, dificuldade de concentração, fadiga persistente e crescimento das horas extras ou da rotatividade e utilizar a tecnologia a seu favor. “O objetivo não é diagnosticar pessoas, mas identificar alterações de padrão que indiquem a necessidade de apoio e ajustes organizacionais”, pontuou.

Durante a apresentação, Barleze também mostrou aplicações da realidade virtual no contexto corporativo. A tecnologia, segundo ele, pode ser utilizada em treinamentos, práticas de respiração guiada, mindfulness, regulação emocional e simulações seguras de situações de estresse, contribuindo para o engajamento e para a prevenção de riscos psicossociais.

 

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